sábado, 12 de janeiro de 2013

OS NOVOS DONOS DO TRÁFICO

REVISTA ÉPOCA, 22/11/2012 15h53

Quem são os homens que, fora ou dentro da cadeia, controlam o crescente comércio de drogas no Brasil – e imprimem gestão empresarial a seus negócios ilícitos

HUDSON CORRÊA, DA BOLÍVIA E DO PARAGUAI, E LEONARDO SOUZA



O jipe Cherokee preto, blindado, com placa número 0001, começou a ser seguido pela Polícia Federal (PF) nas ruas de São Paulo em meados de 2001. Seu condutor, o paranaense Luiz Carlos da Rocha, um homem de meia-idade, pele clara e cabelos grisalhos, era monitorado pela PF por suspeita de envolvimento com o narcotráfico. Passados dez anos, a polícia não tem mais a menor dúvida sobre as atividades de Cabeça Branca, apelido pelo qual Luiz Carlos é conhecido. Como sua placa prenunciava uma década antes, ele é considerado hoje, aos 52 anos, o número um de uma lista dos maiores barões da droga no Brasil.

Cabeça Branca e outros grandes traficantes investigados pela PF – Jarvis Chimenez Pavão, Lourival Máximo da Fonseca, Maximiliano Dourado Munhoz Filho, José Paulo Vieira de Melo e Irineu Domingo Soligo – representam uma nova geração do narcotráfico. Num estilo diferente de traficantes do passado, como Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, conhecidos por atos de violência e afronta escancarada às autoridades públicas, os novos donos do tráfico atuam de modo mais discreto. Eles não deixam de ser violentos. Quando julgam necessário, mandam matar. Mas não integram facções criminosas nem mantêm “exércitos” armados que desafiam a polícia.

(Foto: reprodução, Otimex/Xinhua/Cor/Clj, Governo do Estado de MT, AP, arq. Folha de Rondonia e Newscom )

Preferem atuar como homens de negócios e comandam, foragidos ou dentro da cadeia, verdadeiras redes empresariais da droga. Eles cruzaram as fronteiras de nações vizinhas, se instalaram por lá e, com a proteção de autoridades locais corruptas e diante da leniência do Estado brasileiro, inundam as cidades do país todos os anos com toneladas de cocaína e pasta-base de coca, a matéria-prima para a produção do crack – o entorpecente que mais mata hoje no Brasil. De suas bases montadas no Paraguai, na Bolívia, na Colômbia e até mesmo na Venezuela, terceirizam boa parte dos serviços, como o refino da coca, a remessa e a distribuição da droga no Brasil.

“O tráfico de drogas nunca vai acabar. Podem prender dez Fernandinhos (Beira-Mar). Dez não sei quem. Dez Pavão. Não adianta”, disse a ÉPOCA Jarvis Chimenez Pavão, apontado pela PF como o segundo maior traficante do país. “O Paraguai todo é território do tráfico.” Pavão recebeu a reportagem na penitenciária de Tacumbu, em Assunção, a maior do Paraguai, de onde, segundo a PF, continua a controlar o comércio de drogas para o Brasil. Durante três meses, ÉPOCA realizou um extenso levantamento sobre a vida desses grandes traficantes. Consultou processos judiciais, entrevistou policiais e advogados, visitou cidades dos dois lados da fronteira e constatou que as palavras de Pavão não são uma mera bravata.

Alguns indicadores oficiais sugerem que as drogas estão entrando no Brasil em quantidades cada vez maiores. No relatório mundial sobre drogas divulgado em junho deste ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) destacou a crescente apreensão de narcóticos no Brasil. O país foi o recordista de todas as Américas em volume de crack retido em único ano, com 374 quilos (em 2008). Nos Estados Unidos, foram apreendidos 163 quilos de crack. Houve também um aumento espantoso na quantidade de cocaína retirada de circulação em território brasileiro. Em 2004, foram retidas 8 toneladas. Seis anos depois, em 2010, o número saltou para 27 toneladas.

O governo difunde a versão de que as apreensões de cocaína aumentaram por maior eficiência das forças engajadas no combate ao tráfico – além da PF, o Exército e a Força Nacional de Segurança. Nos últimos anos, a PF ampliou sua atuação nas fronteiras. Fechou acordos de cooperação com as polícias do Paraguai e da Bolívia. Em conjunto com as forças paraguaias, passou a erradicar plantações de maconha. A polícia brasileira também fornece às autoridades paraguaias e bolivianas informações sobre traficantes brasileiros de cocaína em atuação nos países vizinhos. A PF, contudo, vê seu esforço minado por quatro fatores:
1. A remessa de drogas para o país aumentou consideravelmente nos últimos anos.
2. As polícias dos países produtores são corruptas e dão proteção aos traficantes, mesmo aos brasileiros instalados por lá.
3. O orçamento para o combate ao tráfico é estreito e ficou ainda menor em 2011.
4. A pressão do corpo diplomático brasileiro sobre os países vizinhos para coibir a produção de droga em seus territórios é tímida.





Para entender o novo modelo do narcotráfico brasileiro, é preciso voltar à manhã de 25 de abril de 2001, quando o traficante Fernandinho Beira-Mar desembarcou em Brasília, com olheiras e um ferimento provocado por um tiro no braço. Dias antes, ele fora capturado na selva colombiana durante uma operação que envolveu 3 mil soldados daquele país. Era o fim do reinado de cinco anos de Beira-Mar em território colombiano e também no Paraguai. O vácuo deixado por ele não tardaria a ser ocupado por novos megatraficantes.

A mensagem

Para as autoridades - O consumo de drogas cresce no país, mas os recursos para o combate ao narcotráfico diminuem

Para a diplomacia - A política externa vai ter de lidar com um problema cuja origem está além de nossas fronteiras 


Semanas após a prisão de Beira-Mar, a PF já estava no encalço de Cabeça Branca. Foi nessa época que os policiais passaram a fotografá-lo pelas ruas de São Paulo – à distância, evitando ser notados. Em outubro daquele ano, os policiais federais fizeram a primeira apreensão de que se tem notícia relacionada a ele. Foram retidos em Tapurah, norte de Mato Grosso, 488 quilos de cocaína trazidos da Colômbia. O entorpecente estava com a quadrilha de Cabeça Branca, mas ele não chegou a ser preso. Fugiu para o Paraguai. Começava ali seu império nas terras do país vizinho, onde comprou uma série de fazendas, de acordo com o promotor de Justiça Antônio Ganacin Filho, de São Paulo.

O NÚMERO DOIS
Jarvis Pavão, na penitenciária de Tacumbu, em Assunção. Ele diz que o Paraguai virou território livre para o narcotráfico (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)

Três anos depois da apreensão em Mato Grosso, Ganacin denunciou Cabeça Branca e outras cinco pessoas pelo tráfico de 492 quilos de cocaína apreendidos em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. A cor imaculadamente branca da droga impressionou os policiais envolvidos na operação. O grau de pureza revelava que o pó fora trazido da Colômbia e não ficaria no Brasil. Seria exportado para a Europa. De acordo com a investigação, a cocaína foi transportada num bimotor Beech Aircraft, pertencente a Cabeça Branca, até uma fazenda em Mato Grosso. Da propriedade, seguiu de carreta, onde foi escondida sob toneladas de arroz, até o interior paulista. De lá, seria levada ao Rio de Janeiro, oculta entre sacas de açúcar, se não tivesse sido retida pela polícia.

Àquela altura, a quadrilha de Cabeça Branca já operava no Rio de Janeiro. Um ano após o episódio do interior paulista, a PF apreenderia 1.691 quilos de cocaína em um mercado na Zona Norte carioca, em setembro de 2005. Foi a maior apreensão da história da cidade, conhecida por suas favelas dominadas pelo tráfico. A droga estava escondida em buchos congelados de bovinos, que seriam enviados para Portugal e Espanha. Mas a PF não pôs as mãos em Cabeça Branca. Quem foi preso foi seu irmão Carlos Roberto da Rocha, o Tob. O número um do tráfico estava a salvo no Paraguai. 



Com dois mandados de prisão expedidos pela Justiça brasileira, Cabeça Branca também é foragido da polícia paraguaia. Cartazes de “Procura-se” foram espalhados pelas cidades do país vizinho. Segundo duas autoridades paraguaias ouvidas por ÉPOCA, a polícia só não o prende porque não quer. Elas revelaram não somente onde Cabeça Branca está, sem se preocupar em se esconder, como deram detalhes de sua rotina. Disseram que ele costuma circular entre suas fazendas em três caminhonetes pretas que sempre andam em comboio – ele usaria essa técnica para confundir adversários em caso de ataque. Cabeça Branca tem três propriedades rurais contíguas. São um pequeno território do narcotraficante em solo paraguaio, na região de Yby Yau, a 100 quilômetros da fronteira com o Brasil.
AUTORIDADE Numa foto de 2005, o traficante boliviano Huber Rivero, então prefeito de San Matías, caminha ao lado do então governador Blairo Maggi (Foto: Governo do Estado de MT)

De acordo com os inquéritos da PF, entre 2001 e 2005 foram apreendidas quase 3 toneladas de cocaína com integrantes da organização criminosa de Cabeça Branca. O volume valeria cerca de US$ 60 milhões. A maior parte seria enviada à Europa. De acordo com a Procuradoria da República em Mato Grosso do Sul, Estado na fronteira com o Paraguai, Cabeça Branca “financia a compra de cocaína, a importação para o Brasil e cuida do preparo com aumento de volume com o batismo(mistura com outras substâncias). Guarda em depósito, transporta e revende a droga”. Em outra frente, segundo a Procuradoria, ele compra armas e as troca por drogas, provavelmente em transações com integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Fábio Ricardo Mendes Figueiredo, advogado de Cabeça Branca sediado em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, diz que ele nunca foi condenado pela Justiça e que tem obtido vitórias nos Tribunais Superiores contra as investigações da PF.


A PF nunca deixou de monitorar a quadrilha de Cabeça Branca. De 2005 para cá, identificou novas rotas usadas por ele para mandar a droga para o Brasil e para a Europa. Por questões estratégicas, a polícia mantém sigilo sobre suas atividades mais recentes. ÉPOCA apurou que um dos novos caminhos empregados pelo traficante é a Venezuela. De lá, por terra, a principal porta para o Brasil é o município de Pacaraimã, em Roraima, onde se encontra a reserva indígena Raposa-Serra do Sol. Segundo o secretário de Segurança Pública de Roraima, general Eliéser Girão Monteiro Filho, índios foram arregimentados pelos traficantes. Eles cruzam a fronteira e trazem mochilas carregadas de droga.


Como o tráfico é um negócio bastante rentável, Cabeça Branca, com o tempo, ganhou a companhia de mais traficantes brasileiros do outro lado da fronteira. “Eles instalaram bases de apoio no Paraguai e na Bolívia, assim como passaram a manter estreito relacionamento com os chefes criminosos locais”, disse a ÉPOCA o adido da Polícia Federal em Assunção, Antonio Celso dos Santos. Até meados da década passada, o tráfico internacional de drogas promovido por brasileiros era marcado por uma guerra sangrenta entre grupos rivais em disputas por territórios e poder na fronteira. Beira-Mar foi acusado e condenado por assassinar o rival paraguaio João Morel em 2001, além de encomendar as mortes de dois filhos de seu desafeto. Hoje, no sistema de perfil mais empresarial dos novos traficantes, os conflitos armados foram aparentemente contornados com a divisão de territórios entre as organizações criminosas.

Os comerciantes de drogas não tiveram muito trabalho para se acomodar no Paraguai. Encontraram um território aberto. Entrar e sair do país é tão fácil quanto trocar de calçada. Em Ponta Porã, basta atravessar uma rua para entrar em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia com 100 mil habitantes. Ao longo de 1 quilômetro na faixa de fronteira, é possível fazer um zigue-zague de carro ou a pé entre as cidades sem encontrar um policial sequer. O único incômodo são vendedores ambulantes com bolsas a tiracolo oferecendo maconha, munição para armas e uma versão paraguaia do Viagra.


O tráfico de drogas movimenta US$ 100 milhões por mês em Pedro Juan Caballero, afirmam autoridades paraguaias ouvidas por ÉPOCA. Ao menos dez aviões chegam à cidade por semana. Cada um deles carregado com mais de 300 quilos de cocaína. No dia 5 de agosto, a reportagem de ÉPOCA estava em Pedro Juan Caballero. No início daquela noite, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, chegou à cidade. De casaco preto e calça social, Lugo estava rodeado de dezenas de seguranças, ao participar de uma solenidade de entrega de computadores para estudantes. Ao ser abordado, ele se esquivou de responder a uma pergunta sobre a atuação impune de narcotraficantes em seu país. “Outro dia”, limitou-se a dizer. Após a solenidade na escola, Lugo se dirigiu a uma praça aberta. Assistiu por mais de duas horas a uma apresentação musical que fazia parte das comemorações do bicentenário da independência paraguaia. Outra personalidade ilustre presente às comemorações na cidade era o traficante Carlos Ruben Sanchez Garcete, o Chicharo, que opera enviando maconha para o Brasil e a Argentina, segundo a PF. Ele circulava em um BMW livremente pelas ruas de Pedro Juan.



Chicharo é ligado ao gaúcho José Paulo Vieira de Melo, de 42 anos, conhecido como Paulo Seco, preso no Uruguai há um ano e três meses. Ele é acusado de traficar para o Brasil cerca de 1 tonelada de cocaína, apreendida em operações policiais. Paulo Seco é apontado pela PF como o sucessor dos negócios de Fernandinho Beira-Mar no Paraguai. “Com a prisão do conhecido traficante Ney Machado (em 2001) pelo Exército colombiano, Paulo Seco assumiu o comando da organização criminosa em Capitan Bado, Paraguai”, informa um documento da Procuradoria da República no Rio Grande do Sul. Machado, conhecido como Pitoco, era o braço direito de Beira-Mar. Segundo a PF, Paulo Seco montou uma “base de operação” em Ciudad del Este, Paraguai, na fronteira com o Paraná. Aprimorou então o esquema de Beira-Mar para traficar drogas em pequenas aeronaves. Elas viajam do Paraguai até o Rio Grande do Sul e arremessam pacotes de cocaína em fazendas próximas à fronteira com a Argentina.

Esse esquema empresarial montado pelos novos barões da droga permite que eles comandem o tráfico mesmo presos. É o caso de Jarvis Chimenez Pavão, de 43 anos. Depois de Cabeça Branca, ele é considerado o traficante mais poderoso. Preso em Assunção desde 2009, Pavão continuou a comandar o envio de aviões carregados com cocaína para o Brasil, segundo relatório da Operação Matriz, da Polícia Federal, a que ÉPOCA teve acesso. Ele usava um celular para se comunicar com traficantes no Brasil, diz a PF, que captou as conversas por meio de escutas autorizadas pela Justiça.

Da cadeia em Assunção, o número dois do tráfico mandou matar, por R$ 50 mil, um de seus gerentes que desviava dinheiro da quadrilha, de acordo com a investigação. “Esse cara é um sem-vergonha. Onde já se viu mexer em dinheiro meu?”, disse Pavão, durante conversa com um comparsa que estava no Brasil, captada no dia 9 de abril de 2010. Fazia pouco mais de três meses que o traficante estava no presídio Tucumbu. A conversa prosseguiu. “A parada é o seguinte: 50 contos. 50 contos aí a cabeça desse sem-vergonha”, disse Pavão. Três meses depois, o gerente foi morto a tiros no Rio Grande do Sul.
COMBATE
Um agente da PF vigia incineração de drogas em São José do Rio Preto, São Paulo. O orçamento de repressão ao tráfico diminuiu (Foto: Carlos Chimba)

Mesmo atrás das grades, Pavão conseguia a façanha, segundo a PF, de enviar todo mês meia tonelada de pasta-base de cocaína para o Brasil, carga avaliada em R$ 5,5 milhões. Em comum, Pavão e Paulo Seco têm o mesmo advogado, João Manoel Armoa. Ele afirma que não há provas de que os dois sejam traficantes. “Nunca pegaram um avião do Paulo. Ele não tem patrimônio para ter movimentado esse volume, 1 tonelada de cocaína”, diz. “A condenação de 18 anos de Pavão foi à revelia pela Justiça em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Ele é um pecuarista no Paraguai e planta soja. Não tem prova de que esteja envolvido nos crimes relatados na Operação Matriz.” Uma importante vitória judicial de Pavão ocorreu em setembro de 2010. A Justiça paraguaia absolveu seu filho, José Martinez Mendi Pavão, acusado de traficar 120 quilos de cocaína. Os três juízes que deram a sentença renunciaram ao cargo em maio passado, depois de ter sido acusados pela Justiça paraguaia de favorecer o filho de Pavão.

Por essas situações de impunidade, o senador paraguaio pelo Partido Liberal Radical Autêntico Roberto Acevedo, de 46 anos, e seu ex-assessor Ramon Cantaluppi Arévalos afirmam estar desiludidos com a luta contra o narcotráfico no Paraguai. Eles dizem ser uma causa perdida por causa da proteção que os traficantes recebem de autoridades corruptas do país. Os dois carregam ferimentos dessa guerra. Sofreram atentados atribuí­dos a narcotraficantes. Acevedo levou um tiro no braço e outro de raspão na cabeça em abril de 2010. “Minha vida não é vida. É um cárcere. Um policial precisa levar meu filho de 12 anos para a escola”, diz o senador. Arévalos foi alvejado com 14 tiros de pistola 9 mm. Ele diz que só se salvou porque o tiro final, disparado em direção a seu coração, foi bloqueado pelo celular que levava no bolso. “A máfia do narcotráfico virou uma empresa. Encontrou um Estado muito vulnerável”, diz Arévalos. Ele perdeu a perna direita no atentado.

Os megatraficantes também mandam na fronteira com a Bolívia. A principal cidade brasileira de entrada da cocaína é Cáceres, em Mato Grosso. O delegado federal Dennis Maximino do Ó exibe os números ascendentes de apreensão da droga. Lá, em sete anos, o volume de cocaína retida saltou de 100 quilos (2003) para 1.400 quilos (2010). A cerca de 80 quilômetros de Cáceres está a cidade boliviana de San Matías. Com ruas sem asfalto e casas com pintura descascada, destaca-se na paisagem a mansão do ex-prefeito Huber Velardi Rivero, de 47 anos. A casa ocupa quase uma quadra, com uma grande piscina escondida atrás de um muro de 3 metros de altura.


Rivero e seu irmão Adan Ademilson podem ser chamados, segundo a Polícia Federal, de barões bolivianos do tráfico. A Procuradoria da República em Mato Grosso denunciou os dois à Justiça Federal por fazer parte de uma quadrilha com a qual foram apreendidos 913 quilos de cocaína e quase meio milhão de dólares em junho de 2009. Na época, quando Rivero ainda era prefeito de San Matías, a prisão dele e do irmão foi decretada pela Justiça Federal brasileira.

Os mandados de prisão foram expedidos com o argumento de que há dificuldades para que acusados de crimes no Brasil sejam interrogados na Bolívia, principalmente se forem bolivianos.


Rivero costumava se encontrar com o então governador de Mato Grosso, o hoje senador Blairo Maggi (PR), um dos maiores produtores de soja do mundo, em eventos públicos que debatiam a integração econômica entre o Brasil e a Bolívia. Rivero acabou oficialmente fora da política depois que as acusações atingiram sua imagem. Procurado por ÉPOCA, ele negou qualquer envolvimento seu e do irmão com o narcotráfico. A Procuradoria da República afirma que denunciou os dois por tráfico de drogas, mas que os mandados de prisão não estão mais em vigor.

Somente no final do governo Lula, a Polícia Federal começou a estabelecer uma parceria mais estreita com as autoridades bolivianas. O principal resultado foi a prisão de Maximiliano Dorado Munhoz Filho, o Max, de 39 anos, em dezembro passado. Max é responsável por mandar todo mês meia tonelada de pasta-base de cocaína para o Brasil, que pode valer até R$ 9 milhões em São Paulo, diz o delegado da Polícia Federal Carlos Rocha Sanches. A prisão de Max foi uma vitória porque a Justiça boliviana determinara sua extradição para o Brasil em 2004. Ele permaneceu livre seis anos no país vizinho, ostentando alto padrão de vida em Santa Cruz de La Sierra, onde mantinha um patrimônio avaliado em até US$ 7 milhões. Pagava propina a autoridades bolivianas para não ser incomodado. A extradição não significou o fim da linha para os negócios de sua família. Seu irmão Ozzie Dorado Lozado Hanna permanece em liberdade na Bolívia.
COMÉRCiO
Avenida de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, que faz fronteira com o Brasil. O tráfico movimenta US$ 100 milhões por mês na cidade (Foto: Rosane Marinho/Folhapress)

O plantio da folha de coca na Bolívia cresceu significativamente durante o governo do presidente Evo Morales, ele próprio um ex-cocaleiro. Sob o argumento de que a folha, mascada pela população local num hábito secular, não é droga, ele anunciou em 2006 a ampliação da área plantada de 12.000 para 20.000 hectares. Hoje, ela está em 30.900 hectares. Evidentemente, quanto maior o plantio, maior a produção de cocaína. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 66% da folha de coca boliviana, incluindo a plantada legalmente, é desviada para o narcotráfico. Pelos dados da Força Especial da Luta Contra o Narcotráfico (Felcn), principal braço antinarcóticos da Bolívia, de 70% a 90% da cocaína e da pasta-base de coca produzidas naquele país são enviadas para o Brasil. Segundo a ONU, o Brasil se tornou a principal rota de trânsito nas Américas para o envio de droga para a Europa. O número de casos que envolveram o Brasil nesse quesito subiu de 25 em 2005, somando 339 quilos de cocaína, para 260 em 2009, quando foi apreendida 1,5 tonelada de pó.

Na contramão do aumento de apreensões, o governo Dilma Rousseff reduziu os recursos para a Polícia Federal. As associações de entidades de classe da PF (delegados e peritos) enviaram no mês passado uma carta ao Congresso, em que pedem ajuda aos parlamentares. Segundo os policiais, o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da PF (Funapol) sofreu um corte de 28% neste ano. Os gastos com diárias, transporte, hospedagem e alimentação de policiais em missão ou operações oficiais custeados pelo Funapol foram limitados a R$ 58 milhões, uma redução de 35% em relação ao ano passado. São justamente dessas e de outras rubricas afins, também cortadas, que saem boa parte das operações especiais de combate ao tráfico.

Apesar da pressão da PF por mais recursos para o combate ao narcotráfico, a atual gestão da política externa brasileira tende a atenuar a gravidade do problema que representa o aumento no plantio de folha de coca na Bolívia patrocinado pelo presidente Evo Morales. Para o Itamaraty, se houve crescimento do narcotráfico e se há presença de brasileiros comprando e enviando drogas da Bolívia para cá, trata-se de uma mera questão de polícia. “A eventual participação de brasileiros em atividades ilícitas é tratada como parte de uma cooperação policial”, diz um comunicado do Itamaraty.


Candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais no ano passado, o tucano José Serra acusou o governo de Evo Morales de ser “cúmplice” e de fazer “corpo mole” contra o narcotráfico. Serra trouxe para o debate político um problema que não foi encarado com senso de urgência nem pelo ex-presidente Lula nem agora pela presidente Dilma. Eles nunca pressionaram o governo Morales a tomar providências mais enérgicas sobre a produção e a “exportação” de cocaína. Em março, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a que a Polícia Federal está subordinada, foi à reunião da Comissão Mista Brasil-Bolívia sobre Drogas em La Paz. Cardozo aproveitou para sobrevoar a região do Chapare, na região central da Bolívia, berço político de Evo Morales e uma das zonas com maior produção de folhas de coca. Na ocasião, Cardozo anunciou a liberação de US$ 100 mil para a Bolívia aplicar na luta contra a cocaína. Quase seis meses depois, o Itamaraty informa que o dinheiro ainda não foi liberado devido à burocracia brasileira.

No caso do Paraguai, o Itamaraty mencionou a existência de uma comissão formada por autoridades dos dois países para discutir acordos e trabalho conjunto contra o narcotráfico. A última reunião ocorreu há mais de um ano no Paraná. Em 23 anos de existência, foram realizados apenas quatro encontros. Há um fundo com US$ 5 milhões dos cofres brasileiros para ampliar a luta contra o tráfico dentro do país vizinho, mas nenhum centavo foi liberado até hoje por falta de projeto. A letargia brasileira se estende também à Venezuela. O Brasil não mantém “reuniões com autoridades de alto nível” do governo de Hugo Chávez para tratar de tráfico de drogas, informa o Ministério das Relações Exteriores. Por mais de um mês, ÉPOCA pediu informações ao Ministério da Justiça sobre as ações contra o narcotráfico. Solicitou também uma entrevista com o ministro José Eduardo Cardozo. Como num resumo da atenção que o governo Dilma dá ao combate ao narcotráfico, a assessoria e o ministro preferiram o silêncio.

domingo, 23 de dezembro de 2012

A DISCRETA VIDA DE UM PASTOR DE ARMAS



ZERO HORA 23 de dezembro de 2012 | N° 17292

CRIME ORGANIZADO

FRANCISCO AMORIM

Pastor das igrejas Rosa de Sarom e Assembleia de Deus, Clóvis Ribeiro, 41 anos, gasta horas do dia pregando a Bíblia pela periferia de cidades serranas. É respeitado e querido entre os evangélicos.

– Ele sempre fala com emoção que devemos seguir o caminho do bem – diz um amigo.

Há quatro anos, Ribeiro, que é paulista de Santos, vinha levando uma vida sem sobressaltos com a mulher e as duas filhas – uma adolescente de 14 anos e uma jovem de 18 anos – em uma cobertura no centro de Gramado, avaliada pelo mercado local em cerca de R$ 1,2 milhão.

No início da manhã de sexta-feira, porém, uma outra face do pastor Clóvis tornou-se pública. Com um mandado de prisão nas mãos, investigadores da Polícia Civil prenderam Nai, como Clóvis é conhecido no mundo do crime. Ele é definido pelo delegado paulista Ivaney Carlos de Souza como um dos “maiores traficantes de São Paulo”. Uma das suspeitas alimentadas há anos contra Nai é de que lave dinheiro obtido com o tráfico de armas para a guerrilha colombiana Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a mais antiga guerrilha da América em atividade. Em 1º de setembro de 2005, foi interrogado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Armas da Câmara Federal. Ele negou, mas a suspeita é de que remetesse armas para os guerrilheiros colombianos em troca de droga.

A prisão de Nai deixou incrédula uma comunidade.

– Eu o conheci há cerca de quatro anos, mas há pouco mais de um ano nos aproximamos mais e ele começou a participar das nossas atividades. Ajudava como todos aqui, fazia as contribuições – surpreendeu-se Osvaldir Santos, pastor da Rosa de Sarom em Canela.

A associação com a imagem do bom pastor é a mais comum feita entre comerciantes das redondezas do prédio onde Nai morava. Era comum vê-lo dentro de lojas tentando angariar fiéis.

Pastor com sotaque paulista, Nai apreciava passear com a família na Rua Coberta, comia em bons restaurantes, mas sem ostentação. Apesar de discreto, revelava a vizinhos que tinha negócios em São Paulo – mas nunca os detalhava. Para os pastores mais chegados, confidenciava alugar lojas em Gramado. Quando não estava em viagem, Nai era visto com frequência no estacionamento do prédio onde reside falando ao telefone.

– Ele parecia dar ordens e falava em cidades de fora daqui – conta um vizinho.

À noite, saía com bastante frequência. Segundo informava aos vizinhos, ia participar de cultos. Na maioria das vezes, saía e retornava sozinho.

Imagens encontradas em seu iPad indicam que Nai estava adaptado ao Sul. Havia trocado a moranga com camarão, seu prato preferido no litoral paulista, pelo churrasco de rês. Para matar a saudade da culinária da terra de origem, a receita com frutos do mar era preparada em casa, como revelam alguns vídeos.

O material apreendido pela Polícia Civil ainda sugere que Nai parecia feliz com a nova vida. Fotos localizadas em pastas do mesmo iPad mostram que ele não se incomodava em ser fotografado em sua rotina de pastor ao lado de fiéis e outros ministros.

– Ele vivia uma vida normal, sem despertar atenções – resume o delegado Gustavo Barcellos, que foi o responsável pela captura de Nai.

No entardecer de sexta-feira, Nai trocou o cenário de Gramado por uma cela na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).

Um homem metódico

O traficante Clóvis Ribeiro é um homem organizado. Os documentos apreendidos pela polícia estavam guardados em caixas, sacos plásticos ou pastas. Tudo etiquetado e separado por data. Alguns, com mais de de uma década, sequer estão amarelados. Até uma foto 3x4 sua, encontrada dentro da carteira que portava, estava protegida por um pequeno pedaço de papel, cuidadosamente cortado e dobrado.

Tanta disciplina pode acabar ajudando a investigação policial a encontrar pistas de supostos crimes cometidos por Nai. O material será encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que denunciou o traficante.

Antes, porém, cada folha será analisada pela equipe de policiais da Serra.

– Vamos verificar também, a partir desse material apreendido no apartamento, se ele contava com ajuda de outras pessoas aqui na região – diz a delgada regional Elisangela Reghelin.

Apesar de contar a pessoas próximas que era proprietário do imóvel em que residia, documentos indicam que ele paga R$ 4 mil pelo aluguel para uma imobiliária de Santos.

Entre os documentos recolhidos pelos agentes na manhã de sexta-feira, estão cópias de cartas manuscritas, possivelmente escritas por ele, em que trechos de processos contra o traficante são analisados em detalhe. As cartas afirmam que teriam ocorrido distorções entre o que ele falava ao telefone e o que havia sido transcrito para o papel pelas autoridades policiais na época das investigações.



Viagens de negócio e amigos paulistas

Sem esconder o sotaque paulista, Nai optou por tornar pública parte da vida que deixou para trás no centro do país.

Aos amigos mais próximos, dizia-se empreendedor e dono de alguns negócios em Santos (SP), para onde viajava com frequência. Com a estratégia, tentava escapar de olhares desconfiados. Apesar disso, suas viagens rotineiras chamavam a atenção de muitos vizinhos.

– Ele pegava o transfer até Porto Alegre. Sempre com uma maletinha e sempre sozinho – conta um morador das redondezas.

As visitas rápidas de gente de fora aguçam, agora, a curiosidade de quem nunca desconfiou do pastor.

– Era comum placas de fora, de São Paulo. O pessoal ficava uma, duas horas. A gente nunca desconfia – conta outro vizinho.

As atividades de Nai em São Paulo ainda são desconhecidas da polícia gaúcha. Informalmente ao delegado que o prendeu, ele teria dito que seriam 11 as suas empresas.

– Pelos documentos apreendidos, parece que ele é proprietário de um galpão onde funcionava uma igreja e um estacionamento na zona portuária. Mas só uma análise detalhada vai nos revelar mais – conta o delegado Gustavo Barcellos, da Delegacia da Polícia Civil de Gramado.

Cópias de declarações feitas à Receita Federal entre 2002 e 2004 indicam renda anual entre R$ 54 mil e R$ 150 mil e a posse de pelos menos sete imóveis.

No material apreendido, estavam cópias de livros-caixas e milhares de boletos de um estacionamento que seria de propriedade de Nai na zona portuária de Santos.

– Vamos analisar essas anotações financeiras para descobrir do que se trata – conta o delegado.

Junto à documentação apreendida, estavam ainda outras provas de uma relação estreita de Nai com o porto de Santos, que podia estar sendo usado por ele para seus negócios ilegais. Entre elas, cópias de documentos que revelam que Nai chegou a ser, por muitos anos, um estivador sindicalizado. Ou seja, tinha acesso liberado à área interna do maior porto da América Latina.

Com extratos financeiros que indicam saldos superiores a R$ 70 mil, Nai mantinha pouco dinheiro vivo em casa, mas portava em sua carteira de couro preta vários cartões de crédito, que dividiam espaço com as credencias de ministro das igrejas Rosa de Sarom e da Assembleia de Deus, ambas expedidas em 2005 e que facilitam o acesso ao pastor ao interior dos presídios.

Recentemente, tirou nova carteira de identidade no Rio Grande do Sul – como o banco de dados dos Estados não se relacionam, não encontrou dificuldades. Em setembro, renovou a habilitação em solo gaúcho.

sábado, 1 de dezembro de 2012

PC AVANÇA NO RS


ZERO HORA 01 de dezembro de 2012 | N° 17270




PCC cobra dívida do tráfico internacional
Grupo prestaria serviços a quadrilha para se infiltrar em cadeias gaúchas

JOSÉ LUÍS COSTA

A maior facção criminal do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC), lançou uma nova estratégia para se infiltrar nas cadeias gaúchas: prestação de serviços a uma quadrilha internacional de entorpecentes. Na última semana foi descoberto que integrantes do grupo paulista estariam intermediando a cobrança de R$ 120 mil de um traficante gaúcho. O credor seria um distribuidor de drogas de um país vizinho, provavelmente, o Paraguai.

Por celular, o PCC teria cooptado apenados de Charqueadas para fazer “contato” com um traficante, recolhido na mesma cadeia e na mesma galeria (o nome da penitenciária não foi informado). À medida que a conta fosse paga, os executores da dívida ganhariam uma comissão em dinheiro ou, simplesmente, prestígio dentro da organização criminosa para eventuais novos “serviços”.

O episódio chegou ao conhecimento de autoridades da segurança pública, que decidiram transferir o traficante – o nome é mantido em sigilo –, para uma outra cadeia, mas o apenado teria negado a dívida e rejeitado a remoção. A preocupação se deve a dois motivos em especial: sufocar uma tentativa de o PCC se fixar no Rio Grande do Sul e também impedir um eventual assassinato do traficante – o que poderia representar a primeira morte dentro de um cadeia gaúcha por ordem da facção paulista.

A tática do PCC é mais um sinal da tentativa de expansão no Estado neste ano. Em abril, foram apreendidos no Presídio Central de Porto Alegre manuscritos contendo a cartilha com as regras e mandamentos da facção e anotações de rifas para captar dinheiro para o bando.

Um levantamento divulgado pelo jornal jornal O Globo mostra que o PCC já se espalhou por 21 estados, além do Distrito Federal. O dado faz parte de estudo da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) que identificou, nos primeiros nove meses do ano passado, “430 batismos” de novos seguidores do PCC pelo país. Os recordistas são Minas Gerais (90) e Bahia (56). No Rio Grande do Sul, seriam só seis novos adeptos. Detalhes do levantamento, como nomes dos presos e as cadeias, são mantidos em sigilo pela Senasp, que prefere não comentar o assunto.

114 paulistas estão hoje trancafiados no Estado

Ex-juiz da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre e juiz-auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luciano Losekann lembra que o PCC já tentou uma aproximação com o grupo Os Manos, do traficante Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona (recolhido hoje à Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná), mas os contatos não teriam passado de planos para assaltos e contratação dos mesmos advogados.

De acordo com levantamento da Susepe, existem 114 criminosos paulistas trancafiados no Estado. Mas a maioria deles não estaria articulada e não teria poder de arregimentar adeptos para a facção paulista.

– Os bandidos gaúchos ainda pensam em fazer um pé de meia e largar o crime, enquanto o lema do PCC é até a morte – diz uma autoridade que investiga as quadrilhas.


A facção no Estado

- Não existe um levantamento preciso sobre o número de presos ligados ao PCC no Estado. Segundo investigações da Polícia Civil, do Ministério Público e do Judiciário, a facção não ocuparia espaço dentro das cadeias e não teria domínio sobre criminosos nas ruas.

- Dos presos, apenas dois nomes são conhecidos como integrantes do PCC: o traficante de drogas Fabrísio Oliveira Santos, o Boy, 27 anos, e o assaltante Oséas Cardoso, o Português, 62 anos, ambos recolhidos na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).

- Boy estava no grupo de 27 presos em flagrante cavando um túnel para furtar R$ 200 milhões de dois bancos Banrisul e Caixa Econômica Federal, há seis anos, em Porto Alegre. Fugiu para São Paulo enquanto cumpria pena por tentativa de furto, foi preso na capital paulista por envolvimento com tráfico de drogas e mandado de volta para a Pasc

- Envolvido em assaltos, em 2001, Português foi preso com 12 homens que pretendiam roubar R$ 5 milhões de um banco próximo ao aeroporto Salgado Filho, na Capital. Cinco anos depois, foi acusado do roubo de R$ 30 milhões de um banco, em São Paulo, e voltou a ser preso em Porto Alegre. Fugiu da cadeia em 2009, mas foi recapturado em 2010.

CARTAS APREENDIDAS NO PRESÍDIO CENTRAL

- No dia 5 de novembro, ZH divulgou o conteúdo de cartas apreendidas após buscas em celas no Presídio Central de Porto Alegre, que mostram a tentativa do PCC se estabelecer no Estado.

- Encontrada em abril após rastreamento de telefonemas de um paulista encarcerado na unidade e suspeito de extorsões fora da cadeia, a papelada revela o Estatuto do PCC, com regras estabelecidas pela facção aos criminosos. Entre os mandamentos, está a ameaça de que o bandido que estiver em liberdade e “bem estruturado”, não podem esquecer de contribuir com “os irmãos que estão na cadeia”, sob pena de ser “condenado à morte, sem perdão”.

- Um segundo documento apreendido no Presídio Central mostra como o PCC tenta arrecadar dinheiro. Uma das maneiras é por meio de rifas, usadas para custear despesas. Entre elas, pagamento de advogados, de cestas básicas para famílias de presos, transporte para familiares visitarem as cadeias e auxílio para doentes.

domingo, 18 de novembro de 2012

INFILTRADOS EM CURSOS DE EXPLOSIVOS


FOLHA.COM 18/11/2012 - 06h30

Facção infiltra criminosos em curso de explosivos em SP


MARCO ANTÔNIO MARTINS
DO RIO


O PCC (Primeiro Comando da Capital) infiltrou integrantes em cursos que ensinam a manusear explosivos, realizados em pedreiras do Estado de São Paulo. A informação consta de investigações da Polícia Federal e do setor de inteligência do Exército.

Os documentos, sigilosos, informam que o objetivo da facção é aumentar a eficácia de suas ações em explosões de caixas eletrônicos.

Suspeita-se, no entanto, que a técnica também possa ser usada pelos criminosos para atacar policiais.

O treinamento para o uso de explosivos pode estar sendo feito por membros do PCC há, pelo menos, quatro anos.

HISTÓRICO

A Polícia Civil de São Paulo chegou a investigar, em 2008, essa prática da facção.

A apuração parou porque, na época, os policiais não tinham o acesso ao sistema que permite a pesquisa sobre os sócios das empresas que ministram os cursos -chamados de "blasters" ou de "cabo de fogo".

A equipe de policiais produziu, então, um documento e encaminhou à Secretaria da Segurança Pública do governo de São Paulo.

O relatório mostra que de 145 inscritos nos cursos de manipulação de explosivos em pedreiras 13 tinham ficha na polícia por tráfico de drogas e por roubo.

A Polícia Federal retomou o levantamento e trocou informações com o Exército.

ROUBOS

A preocupação cresceu com os constantes roubos de explosivos no Estado.

Neste ano, pouco mais de uma tonelada de dinamite foi levada por assaltantes em São Paulo.

Não há notícias de que esses explosivos tenham sido recuperados.

Em 2010, mais uma tonelada foi roubada, além de 11 quilômetros de pavio e 568 espoletas, responsáveis por acionar a detonação da dinamite em gel.

A suspeita é de que os explosivos estejam sendo enviados também para outros Estados do país.

Nos cursos, os criminosos se aproveitariam da falta de controle das pedreiras que permitem a inscrição de qualquer pessoa.

FALTA DE CONTROLE

Das 160 pedreiras que existem em São Paulo, só metade segue uma série de determinações do Exército.

Entre as exigências estão o controle sobre quem são os alunos que se inscrevem.

"Temos um controle sobre nossos associados, mas há outras pedreiras, menores, que podem não estar seguindo essas regras de segurança. Aí, a gente não pode fazer muita coisa", afirmou Osni de Mello, assessor técnico do Sindipedras (Sindicato de Indústria de Mineração e Pedra Britada de São Paulo).

Oficialmente, a Comunicação Social da Região Militar, responsável pelo Estado de São Paulo, informou não possuir informação de que o PCC infiltre pessoas em cursos de explosivos em pedreiras.

Declarou ainda que a Polícia Federal levanta a ficha criminal das pessoas inscritas nestes cursos.

A Polícia Federal não comentou o assunto.

SUL DE MINAS

Analistas da PF investigam o ataque ao Batalhão da Polícia Militar, na semana passada, em Campo Belo, sul de Minas Gerais.

As informações indicam que a facção recrutou jovens para atacar a PM.

Vários carros de policiais, estacionados no pátio do batalhão, foram atingidos.

A Polícia Militar de Minas Gerais se referiu à ação em Campo Belo como "ataque do tráfico", mas não citou o Primeiro Comando da Capital.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

MILÍCIAS MUDAM ESTRATÉGIA PARA NÃO CHAMAR ATENÇÃO


Milícias mudam de estratégia para não chamar atenção, mostra estudo da Uerj

CORREIO BRAZILIENSE, Agência Brasil 11/10/2012 10:37


Rio de Janeiro – Os grupos de milicianos estão reinventando o modo de agir para não chamar a atenção do Estado e poder continuar a operar negócios criminosos altamente lucrativos. A conclusão é parte do estudo No Sapatinho – Evolução das Milícias no Rio de Janeiro (2008-2011), lançado nessa quarta-feira (10/10) à noite na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

A pesquisa coordenada por Ignacio Cano e Thais Duarte, do Laboratório de Análise da Violência (LAV-Uerj), teve o patrocínio da Fundação Heinrich Böll, da Alemanha. O resultado foi transformado em um livro de 150 páginas, com textos sobre a origem das milícias no Rio, depoimentos, gráficos, tabelas e mapas que traduzem a atuação desses grupos armados no estado, principalmente na região metropolitana.

Cano explicou que as milícias foram enfraquecidas pela ação do Estado e por problemas internos de disputas, mas continuam operando nos mesmos territórios que tinham há quatro anos, só que de forma menos ostensiva.
“O esforço do Estado foi muito importante para cortar o avanço desses grupos e sua expansão, mas não conseguiu erradicar o problema. A nova milícia é muito mais discreta que a antiga. Não tem mais 50 homens armados andando por aí, não marcam mais as casas, mas é igualmente violenta e intimidadora. É um fenômeno mais sutil, eles não se candidatam na proporção que faziam antes aos cargos públicos, mas o terror e a extorsão continuam da mesma forma”, apontou o pesquisador.

Ele destacou que as evidências mostram que os grupos milicianos têm menos força do que antes, controlam menos atividades econômicas, mas continuam matando com frequência. Só que de forma dissimulada, para não chamar a atenção. Se anteriormente fazia questão de matar desafetos à luz do dia, como exemplo, agora a tendência é assassinar as vítimas e fazer desaparecer seus corpos.

Os pesquisadores constataram, observando as estatísticas oficiais, que há um aumento no número de desaparecidos, ao mesmo tempo em que se observa um declínio no de mortes violentas, em áreas de milícia.
“Há muitos assassinatos, torturas e o clima de terror nas comunidades é ainda mais alto do que anos atrás. É um sinal de alarme comprovar que a razão entre mortes violentas e desaparecidos aumenta justamente nas áreas onde a milícia atua. É um sinal sobre a possibilidade de que as milícias estejam desaparecendo com os corpos das vítimas em vez de matá-las publicamente.”

O pesquisador destacou que o apogeu de expansão das milícias foi o período 2006-2007 e que, atualmente, a repressão do Estado, inclusive com a prisão dos principais líderes, mudou sua forma de agir. “Em 2008, começou a repressão a elas e hoje em dia são muito mais tímidas em sua exposição pública. Estão se afastando do modelo do tráfico, de controle de entrada e saída [do território], de ter alguém sempre presente e indo mais na direção de grupos de extermínio ou da máfia, de forma mais sigilosa, para manter os lucros, com uma exposição menor. Os grupos não estão mais se exibindo, como eles faziam antes. Hoje, a investigação ficou mais complicada, justamente em função da discrição dessas milícias.”

Cano alerta que ao mesmo tempo em que há certa diminuição do poder miliciano no Rio, em outras partes do país novos grupos estão se organizando, nos mesmos moldes. São igualmente formados por militares, ex-militares e policiais que oferecem serviços de combate ao crime, aliados à exploração clandestina de produtos e serviços, incluindo a venda de botijões de gás, comercialização de sinal de televisão a cabo e o transporte de vans.

“Temos informações de outros estados de que fenômenos semelhantes estão começando a ocorrer. Então, o Brasil como um todo tem que começar a olhar para este problema, porque daqui a pouco não será exclusivo do Rio de Janeiro. Milícia é um negócio, você tem que conseguir pegar o dinheiro ou, pelo menos, aumentar os custos desse negócio. Prender pessoas é importante mas, em sua grande maioria, são descartáveis e acabam substituídas. Atacar o coração do negócio é essencial para poder desarticular esses grupos.”

terça-feira, 2 de outubro de 2012

HISTÓRIA E MANUAL DO PCC

 Brasil Style Of Life Rp
http://www.styleofliferp.com.br/t9276-manual-do-pcc



Requisitos

Ser ativo
Saber todo o Manual
Ser bom de x1
Ser nivel 3 ou mais

Historia completa do P.C.C



PCC foi fundado em 31 de agosto de 1993 por oito presidiários, no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté (130 quilômetros da cidade de São Paulo), chamada de “Piranhão“, até então a prisão mais segura do estado de São Paulo.

Durante uma partida de futebol, quando alguns detentos brigaram e como forma de escapar da punição – pois várias pessoas haviam morrido – resolveram iniciar um pacto de confiança.

Era constituído por Misael Aparecido da Silva, vulgo “Misa“, Wander Eduardo Ferreira, vulgo “Eduardo Gordo“, António Carlos Roberto da Paixão, vulgo “Paixão“, Isaías Moreira do Nascimento, vulgo “Isaías”, Ademar dos Santos, vulgo “Dafé“, António Carlos dos Santos, vulgo “Bicho Feio“, César Augusto Roris da Silva, vulgo “Cesinha“, e José Márcio Felício, vulgo “Geleião“.

O PCC, que foi também chamado no início como Partido do Crime, a rumores tambem que tenha se chamado Partido Comunista Carcerario, afirmava que pretendia “combater a opressão dentro do sistema prisional paulista” e “vingar a morte dos cento e onze presos”, em 2 de outubro de 1992, no “massacre do Carandiru“, quando a Polícia Militar matou presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo. O grupo usava o símbolo chinês do equilíbrio yin-yang em preto e branco, considerando que era “uma maneira de equilibrar o bem e o mal com sabedoria”.

Em fevereiro de 2001, Sombra tornou-se o líder mais expressivo da organização ao coordenar, por telefone celular, rebeliões simultâneas em 29 presídios paulistas, que se saldaram em dezesseis presos mortos. Idemir Carlos Ambrósio, o “Sombra“, também chamado de “pai”, foi espancado até a morte no Piranhão cinco meses depois por cinco membros da facção numa luta interna pelo comando geral do PCC.

O PCC começou então a ser liderado por “Geleião” e “Cesinha“, responsáveis pela aliança do grupo com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro. “Geleião” e “Cesinha” passaram a coordenar atentados violentos contra prédios públicos, a partir do Complexo Penitenciário de Bangu, onde se encontravam detidos.
Marcola

Marcola

Considerados “radicais” por uma outra corrente do PCC, mais “moderada”, Geleião e Cesinha usavam atentados para intimidar as autoridades do sistema prisional e foram depostos da liderança em Novembro de 2002, quando o grupo foi assumido por Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola“. Além de depostos, foram jurados de morte sob a alegação de terem feito denúncias à polícia e criaram o Terceiro Comando da Capital (TCC).

Cesinha foi assassinado em presídio de Avaré, São Paulo.

Sob a liderança de Marcola, também conhecido como “Playboy“, atualmente detido por assalto a bancos, o PCC teria participado no assassinato, em Março de 2003, do juiz-corregedor António José Machado Dias, o “Machadinho”, EX-JUIZ DA VARA DE EXECUÇÕES DE PRESIDENTE PRUDENTE, Que por aplicar a lei corretamente, não abrindo exceções, como regalia e visitas intimas ao presos que se encontravam no CRP de Presidente Bernades, cumprindo interdição por liderarem mortes dentro das prisões, rebeliões, sequestros e controlar o crime organizado, foi morto covardemente por membros do PCC, a mando de Marcola e Gege do Mangue.

A facção tinha recentemente apresentado como uma das suas principais metas promover uma rebelião de forma a “desmoralizar” o governo e destruir o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), onde os detidos passam vinte e três horas confinados às celas, sem acesso a jornais, revistas, rádios ou televisão por apresentarem alto risco a sociedade.

Com o objetivo de conseguir dinheiro para financiar o grupo, os membros do PCC exigem que os “irmãos” (os sócios) paguem uma taxa mensal de cinquenta reais, se estiverem detidos, e de Mil reais, se estiverem em liberdade. O dinheiro é usado para comprar armas e drogas, além de financiar acções de resgate de presos ligados ao grupo.

Para se tornar membro do PCC, o criminoso precisa ser, apresentado por um outro que já faça parte da organização e ser “batizado” tendo como padrinho 3 “irmãos”, um “irmão” só pode batizar outro membro 120 dias após ele ter sido batizado e o novo “irmão” tem de cumprir um estatuto de dezesseis itens, redigido pelos fundadores e atualizado pelo Marcos Camacho.

Diante do enfraquecimento do Comando Vermelho do Rio de Janeiro, que tem perdido vários pontos de venda de droga no Rio, o PCC aproveitou para ganhar campo comercialmente e chegar à atual posição de maior facção criminosa do país, com ramificações em presídios de vários estados do Brasil como Mato Grosso do Sul, Paraná, Bahia, Minas Gerais e outros mais.
Estatuto

O estatuto do Primeiro Comando da Capital foi divulgado em jornais brasileiros no ano de 2001. É uma lista de princípios da organização. O item 7 do documento prevê que os membros “estruturados” e livres devem contribuir com os demais membros presos sob a pena de “serem condenados à morte, sem perdão”. Leia o Estatuto
Movimentos

Em 2001, ocorreu em todo o estado de São Paulo a maior rebelião generalizada de presos da história do Brasil até então, através do uso de telefones celulares presos se organizaram e promoveram a rebelião. Vários presídios daquele estado, inclusive os do interior se rebelaram.

Anos depois, entre os dias 21 e 28 de março de 2006, diversas unidades prisionais do estado de São Paulo foram tomadas por revolta de seus internos, inaugurando uma série de atos de violência organizada no país.

Os centros de detenção provisória (CDP) de Mauá, Mogi das Cruzes, Franco da Rocha, Caiuá e Iperó, foram os primeiros a serem tomados pelas rebeliões (21 de março de 2006). Durante aquele período, outras unidades também foram palco de rebeliões (Cadeia Pública de Jundiaí- 22 de março de 2006, e os “CDP” de Diadema, Taubaté, Pinheiros e Osasco - 27 de março de 2006).

Como reivindicações apresentadas, reclamavam os amotinados da superpopulação carcerária, buscando transferência de presos com condenações definitivas para penitenciárias, bem como o aumento no número de visitantes e a modificação da cor dos seus uniformes. Estavam descontentes com a cor amarela e postulavam o retorno para a cor bege de seus uniformes. As rebeliões, algumas com reféns, foram contidas, mas os danos provocados nas unidades comprometeram gravemente a normal utilização.

Os ataques do Primeiro Comando da Capital continuaram acontecendo com certa constância, em meio a uma onda de violência e diversos outros atos (nem todos comprovadamente originados da organização) no ano de 2006, nas primeiras horas do dia 13 de agosto, aproximadamente a meia noite e meia, um vídeo enviado para a Rede Globo de televisão, gravado em um DVD, foi transmitido, no plantão daemissora, para todo o Brasil.

Dois funcionários, o técnico Alexandre Coelho Calado e o repórter Guilherme Portanova, haviam sido sequestrados na manhã do dia anterior. Alexandre foi solto, encarregado de entregar o DVD para a Rede Globo. Colocada sob chantagem, a emissora transmitiu o vídeo, com teor de manifesto, após se aconselhar com especialistas e representantes de órgãos internacionais.

O repórter Guilherme Portanova foi solto 40 horas após a divulgação do vídeo, à 0h30 do dia 14 de agosto, numa rua do bairro do Morumbi.

A mensagem, lido pelo integrante do PCC, fazia críticas ao sistema penitenciário, pedindo revisão de penas, melhoria nas condições carcerárias, e posicionando-se contra o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Alguns trechos foram plagiados de um parecer do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária de 14 de abril de 2003.

Regras




Não Fazer DM/DB
Não Fazer Flood em /f(amilia) /ga(ngues)
Não Sequestrar Sozinho Sempre Com 3 Pessoas + -
Não Assaltar Sozinho Sem Estar Acompanhado com 2+
Não Sequestrar Pessoas com Nivel 2
Não Invadir HQ's Sozinho e ser Autorização
Não Usar o Helicoptero ser Permição de um Sub ou Superior
Não Deixar Carros Expalhados nas Ruas
Não Ficar Parado na HQ Domine e Roube
Não Troque de Carro Frequentemente
Não Deixar Carros sem Gasolina
Sempre usar o /g ao Roubar Alguem
Ser RP
Saiba usar o Bug Eagle Corretamente
Não Equipe em Batalha
Não Matar Membros da Mesma GG
Não Use Joypad ou Cheaters
Não Ajudar Membros de Organizações Inimigas
Não Entrar em G Com Uma Desert Eagle Na Mão
Não Pegar Carro de 4 Portas se estiver Sozinho
Não floode /do nas GZ's



Regras de Sequestro


Nunca sequestrar um novato level 2
Nunca se esquecer de /passarfita na vítima
Sempre sequestrar com no mínimo mais 2 companheiros
Valor de Sequestro:
Civil: Máximo - 30k
Membro de Gangue - Máximo 50k
Membro de Organizações Governamentais - Máximo 100k
Líderes de Gangues: Máximo 150k
Líderes de Organizações Governamentais - Máximo 170k
Presidente: Máximo 300k

Comandos



/f - Para falar no radio da GG.
/ga - Para falar com as outras gangs.
/do - Para dominar territórios.
/roubar... - Para roubar o local escolhido - EX: /roubarbanco, /roubarloterica
/infoorg - Para ver a lista de todos os membros da GG.
/membros - Para ver os membros online.
/gf - Para pedir reforço.
/rgf - Cancelar o pedido de Reforço.
/assaltar ID - Para assaltar um player.
/sequestrar ID - Para sequestrar um player Só sequestrar Level 3+

Regras de Assalto

Não assaltar novatos - Level 2.
Não assaltar na cadeia.
Não assaltar sem a voz de assalto /g

Armamentos







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LENDA?

 
FOLHA.COM 01/10/2012 - 13h52

Alckmin diz que há muita lenda sobre facções criminosas em SP


O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesta segunda-feira que há muita lenda sobre facções criminosas em São Paulo. A afirmação foi feita após documentos revelarem que o PCC possui ramificações em 123 das 645 cidades do Estado, como revelou a Folha hoje.


Os cerca de 400 documentos foram apreendidos em operações policiais e apontam também que há nas ruas um total de 1.343 bandidos ligados a facção criminosa. O número é quase o dobro do total de homens da Rota --considerada a tropa de elite da polícia paulista.

"O secretário de Segurança Pública já respondeu que há muita lenda. Crime organizado, desorganizado, ele é enfrentado. Todo dia policia vai pra cima de bandido, todo dia os criminosos são presos. Aqui bandido não cria nome. Temos prisões de segurança máxima para lideranças do crime organizado. São Paulo tem sistema penitenciário forte, polícia trabalhando", disse Alckmin.

O PCC é hoje o principal suspeito de cometer uma série de ataques contra as forças policiais do Estado. Desde o começo do ano, 73 PMs foram assassinados.

Os documentos revelados pela Folha mostram que a capital é o principal reduto do grupo, com 689 integrantes, mas regiões como Campinas (a 93 km de São Paulo) e Santos (no litoral) também têm grande contingente. A facção chega até à cidades pequenas, como Rifaina (464 km de São Paulo), que tem 3.400 habitantes.

Os arquivos apreendidos eram destinados aos chefes da organização como uma forma de prestar contas. Os documentos são salvos em pen drives ou chips de celular e entregues semanalmente por motoboys nas principais prisões do Estado, onde entram clandestinamente.


Editoria de arte/Folhapress


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Governantes que não enxergam e nem acreditam no crime organizado não investem em segurança pública. Eles desconhecem a importância vital da segurança pública, já que envolve vida e morte e afeta o patrimônio das pessoas. Quem não conhece a sí mesmo (o Estado) e nem ao ambiente (insegurança) e nem ao inimigos (facções criminosas) está fadado a derrotas em todas as batalhas.

"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas...Sun Tzu