segunda-feira, 14 de outubro de 2013

QUADRILHA DE SP SE ESPALHA POR TODO O BRASIL E CHEGA A OUTROS PAÍSES DA AL

G1 FANTÁSTICO - 13/10/2013 23h30

Quadrilha de SP se espalha por todo o país e chega à Bolívia e ao Paraguai. Investigação do Ministério Público de São Paulo revelou a estrutura e o dia a dia da maior organização criminosa do país.



Esta semana, uma investigação do Ministério Público de São Paulo revelou a estrutura e o dia a dia da maior organização criminosa do país. Foram três anos analisando escutas telefônicas, documentos e depoimentos de testemunhas e os promotores descobriram que o grupo que age dentro e fora dos presídios paulistas não está só em São Paulo. Já se espalhou para todos os estados do Brasil. O Fantástico mostra detalhes inéditos dessa grande investigação contra o crime organizado.

É em uma sala de um batalhão da Policia Militar da região de Presidente Prudente que cinco penitenciárias, onde estão os presos mais perigosos de São Paulo, são monitoradas 24 horas por dia. O vigia eletrônico não perde nenhum movimento em volta da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, que detém os chefes da quadrilha que comanda o crime no estado.

A câmera percorre o lado de fora da muralha, a estrada que passa perto do presídio, a portaria, o pátio e até as janelas das celas. Mas ela não conseguiu perceber como telefones celulares foram parar nas mãos dos detentos.

Presos pagam caro para ter telefone

Na P2 de Venceslau, presos pagam caro para ter um telefone.

Billi: Mano, sabe quanto eu já mandei nessa caminhada aí?
Abel: Hã?
Billi: 25 (mil) mano
Abel: Cada um?
Billi: Cada um, mano.

A gravação de conversas telefônicas foi a principal ferramenta de uma investigação que durou três anos.

No fim do mês passado, os promotores denunciaram 175 suspeitos à Justiça e pediram o isolamento de 35 deles no RDD: o Regime Disciplinar Diferenciado.

O Fantástico mostra para que os celulares são usados pelos chefes do crime organizado, de dentro das prisões. Eles servem para controlar, por exemplo, o faturamento do tráfico de drogas, em cada região de São Paulo.

Prata: Deixa eu falar pra você, melhorou. Marca aí, capital, 423 (mil). Baixada melhorou também, 287, já melhorou.
Pescoço: Mas ainda tá deixando a desejar, mas tá legal. Mas aí capital bombou, hein mano.

Segundo a investigação, a quadrilha vende e também compra drogas; e em grandes quantidades.

Soriano: Vai chegar 30 chip grande (300 quilos de cocaína).

Bandidos se tornaram responsáveis pelo recebimento, armazenamento e pela mistura usada para aumentar as vendas e o lucro do tráfico.

Associados ao bando pagam mensalidade

Quem se associa ao bando e está fora da cadeia paga mensalidade. O dinheiro abastece o caixa do crime e ajuda a financiar o tráfico de drogas.

Em outra conversa, os bandidos falam da distribuição, e reclamam da queda nas vendas.

Abel: No fim do ano, deu o problema do Natal. Agora, ele já tinha previsto isso também devido ao carnaval. Vai normalizar depois do carnaval.

Durante as investigações, a polícia apreendeu quase cinco toneladas de drogas e 82 armas. Em 2011, 19 fuzis, sete pistolas e granadas foram descobertos enterrados em um terreno em Cajamar, na Grande São Paulo. O prejuízo com a perda do arsenal foi comunicado aos chefes da quadrilha em Presidente Venceslau e, de lá eles tomaram a decisão: espalhar e esconder outro arsenal de 32 fuzis em várias regiões do estado.

Soriano: A gente tava trocando uma ideia do quê, deixar cinco em cada quebrada grande: norte, sul, leste e oeste. Entendeu, irmão?
Jagunço: Sim, senhor
Soriano: Norte, sul, leste e oeste, 25. Três na baixada, 28. Dois no ABC, 30. Tem um no centro já, manda mais um pro centro, vai ficar 32. Fora o de vocês aí, entendeu?

Quadrilha controla 90% das prisões de São Paulo

Outra conclusão da investigação: a quadrilha controla 90% das prisões de São Paulo. E também está espalhada por todo o país. São seis mil bandidos presos e 1,8 mil em liberdade.

A presença dos membros da facção é mais forte no Sul e no Nordeste. Mas eles também estão no Norte, Centro-Oeste e no restante do Sudeste .

Os bandidos ainda ocupam postos na Bolívia e no Paraguai, em um chamado plano de expansão.

Abel: Nosso entendimento fica da seguinte forma, irmão. A gente tem que fazer um trabalho lá (no Paraguai) agora, viu meu irmão, pra ganhar um espaço.

Durante os três anos, todos os planos eram ouvidos pelos promotores e informados às autoridades da segurança pública.

Ao todo, 144 bandidos foram presos em flagrante durante a investigação.

A segurança foi reforçada na região de Presidente Prudente.

Soriano: Tá acontecendo alguma coisa. Tá estranho o barato. Choque prá caramba na muralha, dois pombos (helicópteros). Rodearam a muralha, de dez em dez metros, três caras com dois escudos, entendeu irmão?

Planos para assassinar Geraldo Alckmin são descobertos

O governador Geraldo Alckmin virou alvo dos presos. Dois planos de assassinato foram descobertos. O último há apenas 40 dias.

LH: Depois que esse Governador entrou aí o bagulho ficou doido mesmo. Na época que nós decretou ele.

“Nós não vamos retroceder um milímetro. O que nós vamos é fortalecer o trabalho da segurança pública", afirmou Geraldo Alckmin.

Os chefes da quadrilha, que estão presos, ficaram sabendo de parte da investigação. Em um documento, um juiz de Presidente Venceslau informa Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o principal chefe do grupo, que ele não seria transferido para o presídio de Presidente Bernardes, onde ficaria incomunicável.

Os bandidos também foram flagrados preparando uma fuga. Eles pretendiam invadir a penitenciária de Venceslau e libertar os presos. Para isso usariam fuzis. Em uma escuta eles chamam a penitenciária de hot-dog.

Soriano: Ô Judeu, chegou oito (fuzis) ali, ta sabendo? Nós tamo vendo pro velho hot-dog, entendeu?
Judeu: Esses outros oito que ia encostar, qual que é? Você sabe qual que é?
Soriano: Esse aí é o AR (AR 15).

Segundo a polícia, o plano de fuga seria colocado em prática no próximo dia 24. Como foi descoberto, batalhões de elite da PM paulista reforçaram o patrulhamento de Presidente Venceslau e das cidades vizinhas.

Com a divulgação da investigação, o comandante da PM de São Paulo, Benedito Roberto Meira, mandou uma mensagem pelo rádio a todos os policiais com um pedido de cautela.

Benedito Roberto Meira, comandante da PM: Solicito a todos que redobrem a atenção durante o deslocamento, estacionamento e atendimento de ocorrências. Muito obrigado.

domingo, 13 de outubro de 2013

PLANO DE INVASÃO DE PENITENCIÁRIA E FUGA EM MASSA

G1 SP - 12/10/2013 21h36

Escutas mostram que facção criminosa planejava fuga em massa. Gravações do MP revelam plano para libertar chefes da quadrilha.. Ação incluiria invasão à Penitenciária de Presidente Venceslau.

Do G1 São Paulo




Novas escutas gravadas pelo Ministério Público de São Paulo revelam que a facção criminosa que age dentro e fora dos presídios paulistas planejava há dois anos uma fuga em massa. Em uma das escutas, feita com autorização da Justiça, dois presos falam sobre os preparativos. Eles chamam a Penitenciária de Presidente Venceslau de “cachorro quente” ou “hot dog”. As informações são do Jornal Nacional.

O serviço de inteligência da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) confirmou neste sábado (12) ter descoberto um plano de invasão da penitenciária II de Presidente Venceslau para libertar chefes da quadrilha. Os presos comentaram que no próximo dia 24 iriam para casa.

Segundo a polícia, na manhã deste sábado (12), seis presos ligados à quadrilha que comanda os crimes de dentro dos presídios fugiram da Penitenciária de Pacaembu, no interior de São Paulo. Eles foram perseguidos pela Polícia Militar e perderam o controle do veículo que usavam na fuga. Três fugitivos foram recapturados. Outros três detentos escaparam. A cidade de Pacaembu fica na região do presídio de Presidente Venceslau, onde estão os chefes do bando.

STF
Novas escutas gravadas pelo Ministério Público de São Paulo revelam que a facção criminosa que age dentro e fora dos presídios paulistas tentou entrar na política e se aproximar do Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do Jornal Hoje.

O Ministério Público (MP) flagrou um dos detentos conversando com a advogada Lucy de Lima sobre audiência com um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). "Eu escrevi um testamento pra assessora dele, pra conseguir que ela agendasse”, afirmou a advogada na gravação.

Segundo o Ministério Público, a advogada se referia ao ministro Cezar Peluso, que na época era presidente do STF. Vinte dias depois, o preso voltou a falar com a advogada. "Felipe, acabei de vim (SIC) do homem", disse. "Ele perguntou pra onde aquele amigo do Felipe quer ir. Eu falei aquela (penitenciária) lá de Sorocaba, sabe? Mas ele falou pra falar pra qual quer ir", disse.

A escuta faz parte de uma megainvestigação de três anos na qual o Ministério Público aponta que a cúpula da facção criminosa comanda, de dentro dos presídios paulistas, o tráfico de drogas e armas, além de ordenar a morte de autoridades, inimigos e policiais. Como resultado da apuração, os promotores pediram a prisão preventiva de 175 integrantes da facção e a transferência de 35 presos para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), sistema em que o nível de isolamento do preso é maior. A investigação foi divulgada na sexta-feira (11) pelo jornal "O Estado de S. Paulo".


Na edição deste sábado (12), o jornal revelou que outra advogada, Maria Carolina Marrara de Matos, disse a outro peso que o irmão dela foi chamado para trabalhar no gabinete do ministro Ricardo Lewandowski e que pretendia usar o irmão para defender interesses da organização criminosa. Ela afirma que há uma “perseguição" no Tribunal de Justiça de São Paulo e que pensa em uma estratégia para um pedido coletivo no STF.

”Tem meu irmão, que foi chamado para trabalhar com um ministro, o Lewandowski, eu até estava pensando nisso hoje até pra juntar vários pedidos que foram negados", disse.

A organização também tentou se infiltrar na Assembleia Legislativa de São Paulo. Em uma conversa gravada, dois presos discutiram o apoio a uma candidata. A facção planejava ainda invadir o presidio de Presidente Venceslau para liberar integrantes. Em uma conversa, dois presos conversam sobre a compra de oito fuzis que seriam usados no resgate.

A assessoria do ministro Ricardo Lewandowsky afirmou que ele nunca foi procurado pela advogada Maria Carolina Marrara de Matos e que ele soube que havia um currículo do irmão da advogada no tribunal quando foi procurado pela imprensa. A equipe de reportagem tentou contato com a advogada e com o ministro Cezar Peluso, mas não obteve retorno.

A advogada Lucy de Lima admitiu que defende o preso Edilson Borges Nogueira, a pedido dos familiares dele, e que pediu ao ministro Ayres de Britto o julgamento do habeas corpus do preso, mas ele não julgou o mérito. Ela negou que tenha conversado por telefone com o preso.

Governador

Também dentro da penitenciária de Presidente Venceslau, a investigação detectou um plano para matar o governador Geraldo Alckmin. A ameaça foi feita há 40 dias. Um bilhete escrito por um preso foi interceptado e repassado aos promotores. O bilhete é um dos indícios de que Alckmin é alvo da facção. Em outra gravação, dois integrantes da facção, LH e Tiquinho, chegam a falar que "decretaram" o governador.

“Depois que esse governador entrou aí o bagulho ficou doido mesmo. Você sabe de tudo o que aconteceu, cara, na época que nois (SIC) decretou ele (governador), então, hoje em dia, secretário de segurança pública, secretário de administração, comandante dos vermes (PM), estão todos contra nois", afirmou LH. A gravação foi feita há dois anos.

Alckmin afirmou neste sábado (12) em Aparecida, no interior de São Paulo, que nada mudou em sua segurança. Ele esteve na cidade para acompanhar uma missa. Quem também vive sob constante ameaça, segundo a investigação do MP, é o coordenador das unidades prisionais do oeste do Estado, Roberto Medina.

Crítica
O Ministério Público de São Paulo criticou a decisão da Justiça de rejeitar a denúncia contra 14 dos 175 acusados de integrarem a facção criminosa. Documento obtido pelo G1 mostra que os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, criticaram a decisão judicial que negou ainda os pedidos de prisões preventivas e de mandados de buscas e apreensões contra parte dos denunciados.

O juiz assessor da presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Rodrigo Capez, disse nesta sexta-feira que a denúncia contra 175 suspeitos foi parcialmente negada porque o pedido foi "genérico" e a conduta de cada suspeito não foi suficientemente individualizada pelos promotores.

Por causa da rejeição, a Promotoria informa, em documento redigido na segunda-feira (7), que entrou com recurso “visando a reforma da decisão, com o recebimento integral da denúncia, além do deferimento da decretação da prisão preventiva dos denunciados e a expedição de mandados de busca e apreensão na residência deles”. “O jovem magistrado de primeiro grau não agiu com acerto”, diz o documento.

O MP alega que as prisões e mandados se fazem necessários porque a facção oferece grande perigo à população. O MP cita que a facção é responsável pelas rebeliões em presídios em 2001, atentados em 2006, com mortos e prejuízos financeiros, e a onda de ataques em 2012, com mortes de policiais militares de São Paulo. A conclusão da Promotoria é de que a organização criminosa é "armada, de caráter permanente, destinada à prática do tráfico de drogas e de inúmeros outros delitos”.

O juiz Rodrigo Capez garantiu que não houve intimidação contra o magistrado que negou as prisões e os mandados de busca e apreensão. "Eu posso assegurar que nenhum magistrado se sente intimidado. Isso já faz parte da profissão. O juiz responsável pelo RDD [Regime Disciplinar Diferenciado] tem plena consciência da gravidade das funções que ele exercesse e da repercussão das decisões que ele toma", afirmou Capez.

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola,
considerado o chefe da facção criminosa que age de
dentro dos presídios paulistas (Foto: Arquivo/G1)

Entenda o caso

Os promotores pediram a prisão preventiva de 175 integrantes da facção e a transferência de 35 presos para o RDD. Os trabalhos foram conduzidos por 23 promotores e começaram em março de 2010. Além das escutas, foram reunidos documentos, depoimentos de testemunhas e informações sobre apreensões de centenas de quilos de drogas.

A denúncia com os pedidos de prisão foi oferecida à Justiça pelo MP há um mês, em 11 de setembro. O pedido foi negado pelo juiz de Presidente Venceslau. O MP recorreu da decisão no Tribunal de Justiça.

A partir da investigação, os promotores mapearam a estrutura da quadrilha, na qual apontam como chefe Marco Willians Camacho, o Marcola, que está preso faz sete anos. Os promotores também descobriram que a facção controla 169 mil presos e atua em 90% dos presídios paulistas. Fora dos presídios, a facção vende drogas e negocia compra de armas, e mata quem atrapalha os planos da facção.

RDD

A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo disse que pediu a internação de 35 presidiários do Centro de Readaptação de Presidente Bernardes para o regime disciplinar diferenciado, o RDD, mas o pedido foi negado pela autoridade judiciária. O Tribunal de Justiça não se pronunciou sobre o tema.

O advogado de Marcola, Roberto Parentoni, informou que ainda não teve acesso ao conteúdo da denúncia feita pelo Ministério Público Estadual contra seu cliente, e que, por isso, não pode se pronunciar.

sábado, 12 de outubro de 2013

COMANDO BUSCAVA LUGAR NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Grampo mostra tentativa de mobilizar até visitas e fazer 'panfletagem' em favor de uma advogada e candidata

12 de outubro de 2013 | 2h 03

O Estado de S.Paulo



A maior facção do crime organizado do País quer entrar para a política. A cúpula planejou a eleição de uma deputada estadual em São Paulo - a candidata seria uma advogada cujo nome não foi identificado. Quem trata do plano de obter uma vaga na Assembleia Legislativa paulista é Roberto Soriano, o Tiriça, número 4 na hierarquia da organização criminosa.

A articulação do grupo envolveu as eleições de 2010. No dia 29 de julho, o bandido conhecido como Francisco Tiago Augusto Bobo, o Cérebro, diz no telefone que recebeu uma ordem para organizar a facção e fazer campanha para o candidato do PCC. O assunto deve ser tratado em todo o sistema prisional e a ordem da cúpula era evitar que se falasse a respeito dele em telefonemas, provavelmente para evitar que a candidatura apoiada pela facção fosse cassada pela Justiça Eleitoral. Além dos presos, a facção queria mobilizar as visitas, a fim "organizar a panfletagem".

"Essa caminhada (missão) é o seguinte: tem uma gravata (advogada) que está se elegendo (será candidata) e pediu nosso apoio e o apoio vai ser dado. Em cima desse apoio, se ela ganhar, vai ser doado metade das cadeiras lá", revelou o bandido. No dia 3 de agosto, às 15h12, outro criminoso - Fabiano da Silva - recebeu uma comunicação da cúpula da facção.

Tratava-se de um "salve" (mensagem) dirigido "às unidades masculinas e femininas onde se encontram presos que ainda não estão condenados", no qual os bandidos diziam que tinham de exercer o seu direito de votar. De fato, os chamados presos provisórios têm direito a voto. A facção pediu aos presos que tivessem o direito, mas que se estivessem sendo impedidos de votar escrevessem ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Brito, manifestando seu desejo de votar. O "salve" era assinado pela "Sintonia dos Gravatas", o departamento jurídico da facção criminosa.

Favelas. Além dos votos no sistema e dos parentes de presos, o PCC espera contar com a votação de moradores de comunidades carentes em que atuam integrantes da facção criminosa. Soriano, o Tiriça, afirma que "vai fazer aquele apoio na favela".

Desde 2002, a facção procura entrar na política. Três candidaturas já foram impugnadas pela Justiça Eleitoral com base em pedidos do MPE - por suposta ligação do candidato com os integrantes da facção. / M.G.

PCC: MATAR HOJE É A MAIOR BUROCRACIA

FOLHA.COM 12/10/2013 - 04h01

'Matar hoje é a maior burocracia', diz chefe do PCC em gravação


DE SÃO PAULO
DO "AGORA"


Em um dos grampos telefônicos, Marcos Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC, diz para um colega que a facção influencia nas estatísticas de criminalidade.

"Sabe o pior? É que há dez anos todo mundo matava todo mundo por nada... Hoje pra matar alguém é a maior burocracia [estatuto do PCC teria disciplinado condutas]. Os homicídios caíram não sei quantos por cento. Aí eu vejo o governador chegar lá e falar que foi ele", disse, em março de 2011.

A Promotoria também constatou que o PCC reservou parte do dinheiro do tráfico de drogas para presentear crianças no Natal.

Em novembro de 2011, dois membros da facção combinam a compra de mil celulares para os filhos dos integrantes do grupo.


Editoria de arte/Folhapress




PCC TENTOU SE INFILTRAR NO STF

REVISTA VEJA 12/10/2013 - 09:23

Crime. Investivação do MP revela que PCC tentou se infiltrar no STF. Ação foi detectada em 2010 e envolveu articulação entre criminosos e advogados


STF reforça segurança antes da sessão do julgamento do mensalão (Marcello Casal Jr./ABr)

O crime organizado quer influenciar as decisões do Supremo Tribunal Federal e se infiltrar na corte. É o que demonstram as interceptações telefônicas feitas pelo Ministério Público. A ação dos bandidos foi detectada pela primeira vez em 2010 e envolveu uma articulação entre pelo menos dois integrantes da Sintonia Final Geral, a cúpula da facção, e advogados que trabalhariam para a Sintonia dos Gravatas, o departamento jurídico do PCC.

No dia 28 de agosto de 2010, à 0h46, Daniel Vinícius Canônico, o Cego, conversou com uma advogada identificada pelo MPE como Maria Carolina Marrara de Matos. Ele reclama de que dificilmente um benefício legal é concedido aos detentos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde está a maior parte da cúpula da facção.

A advogada revela então o plano de reunir diversos recursos negados pela Justiça de São Paulo aos integrantes da facção, como pedidos de concessão do regime semiaberto. Diz a Cego que o "irmão" dela "foi chamado para trabalhar com um ministro, o (Ricardo) Lewandowski".

A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo procurou entre os funcionários do gabinete do ministro algum que tivesse o mesmo sobrenome. Não encontrou. Também procurou a advogada nesta sexta-feira. Ela negou que conhecesse alguém no STF. Disse que seu irmão não trabalha lá. "A acusação é um absurdo e eu tenho como provar", disse.

No telefonema, Cego pede que a advogada faça o que propõe e ela afirma que vai a Brasília falar com o ministro. Não há nenhuma indicação na investigação de que a conversa realmente tenha ocorrido.

Em 15 de setembro de 2010, os investigadores surpreenderam um dos maiores traficantes do PCC, Edilson Borges Nogueira, o Biroska, pedindo para sua mulher que procurasse uma advogada identificada como Lucy de Lima. A advogada devia contatar um político de Diadema, no Grande ABCD, para que ajudasse a obter benefícios no cumprimento de sua pena.

O político era um vereador da cidade — Manoel Eduardo Marinho, o Maninho (PT). Maninho disse que teve contato com Biroska apenas quando era criança, pois o pai dele ("Seu Nonô") era guarda da prefeitura de Diadema e o irmão é metalúrgico. Maninho militou no sindicato dos metalúrgicos. "Repudio o PCC, mas gosto muito de seu Nonô." Maninho negou que tenha sido procurado pela advogada.

Biroska queria que o vereador testemunhasse em seu favor. A investigação não detectou se o político foi contactado pelo PCC. Biroska é o chefe do tráfico em Diadema. Dias antes (24 de agosto), Biroska conversa com uma mulher identificada como a advogada Lucy. Ela trata do recurso que está tentando para ajudar seu cliente e afirma que vai se encontrar com um ministro do STF. Ela quer tratar de um habeas corpus cujo relator, segundo o MPE, era Joaquim Barbosa — o ministro negou o habeas corpus.

A reportagem procurou ainda a advogada Lucy e deixou recado no telefone celular. Nenhuma das advogadas foi denunciada pelo MPE. A tentativa de influenciar os tribunais superiores teria como objetivo vencer as resistências encontradas pelos bandidos para a concessão de benefícios.

(Com Estadão Conteúdo)

PCC PLANEJAVA MATAR GOVERNADOR


ZERO HORA 12 de outubro de 2013 | N° 17581
CRIME ORGANIZADO. PCC planejava matar governador Alckmin

Ministério Público de São Paulo denunciou 175 pessoas ligadas ao grupo



A maior organização criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC), com sede em São Paulo, planejava, entre outros crimes, a morte do governador paulista, Geraldo Alckmin. Em reportagem, o jornal Estado de S.Paulo conta que o Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo denunciou 175 pessoas e pediu à Justiça a internação de 32 presos no Regime Disciplinar Diferenciado – entre eles, toda a cúpula da facção, hoje detida na penitenciária paulista Presidente Venceslau.

A denúncia, diz o jornal, é fruto de três anos e meio de investigações do Grupo Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). As provas revelam os esquemas do PCC. Os promotores reuniram escutas, documentos e depoimentos.

As gravações mostram que, pelo menos desde 2011, a facção planeja matar o governador de São Paulo. O Estadão teve acesso a uma interceptação telefônica na qual um dos líderes conversa com dois outros integrantes da facção. De repente, surge a revelação. O líder diz que o tráfico mantido pela facção está passando por dificuldades. E afirma:

– Depois que esse governador (Alckmin) entrou aí o bagulho ficou doido mesmo. Você sabe de tudo o que aconteceu, cara, na época que “nois” decretou ele (governador).

Em escutas recentes, a ordem de matar o governador foi novamente mencionada por membros do PCC.

Sobre as ameças, Alckmin disse:

– Não vamos nos intimidar. É nosso dever zelar pelo interesse público.

O governador falou ainda que vai trabalhar para “fortalecer ainda mais o Regime Disciplinar Diferenciado”.

– Nós temos as mais fortes penitenciárias do país aqui no Estado. Os índices de criminalidade estão em queda, fruto exatamente desse trabalho, que vai ser fortalecido – complementou Alckmin.

Facção teria 21 membros em cadeias do Rio Grande do Sul

O levantamento descoberto pelo MP de São Paulo aponta que o PCC teria 21 membros no Rio Grande do Sul. A informação faz soar novamente um alerta dado há pelo menos oito anos, sobre a entrada do grupo criminoso mais organizado do país nas cadeias do Estado.

A polícia confirma que alguns batismos já teriam acontecido em prisões do Interior, mas garante que, até agora, o grupo não teria se firmado no Estado.


Regulador de mortes

O chefão do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi flagrado duas vezes ao telefone.

O homem condenado pelos ataques à polícia em 2006 e pelo assassinato em março de 2003 do juiz Antonio José Machado Dias, da Vara de Execuções Penais de Presidente Prudente, orgulha-se de ter abolido o crack das cadeias de São Paulo.

– Ninguém usa na prisão – diz Marcola para um dos subordinados.

O bandido também afirma que, hoje, “para matar alguém é a maior burocracia”, referindo-se às normas impostas pela facção. Por elas, quando um bandido tem alguma queixa contra um desafeto deve se dirigir a um tribunal do PCC. Neles, o faltoso pode ser desde repreendido até executado. Mas a sentença de morte tem de ser referendada pelo “comando”. E, indiretamente, atribui ao regulamento a queda no número de homicídios no Estado.

– Então quer dizer, os homicídios caíram não sei quantos por cento, e aí eu vejo o governador chegar lá e falar que foi ele – reclama Marcola.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

INVESTIGAÇÃO DO MPE-SP DENUNCIA 175 MEMBROS DO PCC


CORREIO DO POVO 11/10/2013 09:25

Investigação sobre crime organizado denuncia 175 membros do PCC. Promotores do MPE trabalharam três anos e meio na apuração do caso


Depois de três anos e meio de investigação, o Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo concluiu o maior mapeamento da história do crime organizado no País, com um raio X do Primeiro Comando da Capital (PCC). Por fim, denunciou 175 acusados e pediu à Justiça a internação de 32 no Regime Disciplinar Diferenciado - entre eles, toda a cúpula, hoje presa em Presidente Venceslau.

As provas reunidas pelos promotores do Grupo Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) permitiram à construção de um retrato inédito e profundo da maior organização criminosa do País. Durante três anos e meio, os promotores reuniram escutas telefônicas, documentos, depoimentos de testemunhas e apreensões de drogas e de armas.

O Estado teve acesso aos documentos e a milhares de áudios que formam o maior arquivo até hoje reunido sobre o crime organizado no País. O MPE flagrou toda a cúpula da facção em uma rotina interminável de crimes. Ela ordena assassinatos, encomenda armas e toneladas de cocaína e maconha. Há planos de resgate de presos e de atentados contra policiais militares e autoridades. O bando faz lobby e planeja desembarcar na política.

Presente em 22 estados do País e em três países (Brasil, Bolívia e Paraguai), a "Família" domina 90% dos presídios de São Paulo. Lucra cerca de R$ 8 milhões por mês com o tráfico de drogas e outros R$ 2 milhões com sua loteria e com as contribuições feitas por seus integrantes - o faturamento anual de R$ 120 milhões a tornaria uma empresa de médio porte. Esse número não inclui os negócios particulares dos integrantes, o que pode fazer o total arrecadado por criminosos dobrar.

A principal atividade é desenvolvida pela facção é tráfico de drogas. Chamado de Progresso, prevê ações no atacado e no varejo. No último, a facção reunia centenas de pontos de venda de droga espalhados pelo País. Eles são chamados de "FM". No caso da cocaína, os bandidos mantêm um produto de primeira linha, o "100%" e o "ML", que é a droga batizada, de segunda linha. A maconha é designada nas conversas com o nome de Bob Esponja. A droga do PCC vem do Paraguai e da Bolívia.

Os três principais fornecedores de drogas para o PCC seriam os traficante paraguaio Carlos Antonio Caballero, o Capilo, e os brasileiros Claudio Marcos Almeida, o Django, Rodrigo Felício, o Tiquinho, e Wilson Roberto Cuba, o Rabugento.

Arsenal

O grupo tem um arsenal de uma centena de fuzis em uma reserva de armas e R$ 7 milhões enterrados em partes iguais em sete imóveis comprados pela facção. Ao todo, o grupo tem 6 mil integrantes atrás das grades e 1,6 mil em liberdade em São Paulo. Esse número sobre para 3.582 em outros estados - somando os membros ativos e inativos, além dos punidos e os que não têm mais cargos ou participação em atividades mantidas pela facção.

A denúncia do MPE foi assinada por 23 promotores de Justiça de todo os Gaecos de São Paulo. O MPE fez ainda um pedido à Justiça de que seja decretada prisão preventiva de 112 dos acusados. Todos os suspeitos listados pelo MPE foram flagrados conversando em telefones celulares, encomendando centenas de quilos de cocaína, toneladas de maconha, fuzis, pistolas, lança-granadas e determinando a morte de desafetos, traidores e suspeitos de terem desviado dinheiro da Família. Deixam, assim, claro que atuam segundo o princípio de que "o crime fortalece o crime".

Dezenas de telefonemas relatando pagamento de propinas, principalmente a policiais civis, mas também a PMs, fazem parte da investigação.A Justiça de Presidente Prudente se negou a decretar a prisão de todos os acusados, sob o argumento de que seria necessário analisar mais detidamente as acusações. O mesmo argumento foi usado pela Vara das Execuções Criminais, que indeferiu o pedido de liminar feito pelo MPE para internar toda a cúpula da facção no RDD da Penitenciária de Segurança Máxima de Presidente Bernardes. O juiz Tiago Papaterra decidiu verificar caso a caso a situação dos detentos, antes de interná-los. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Fonte: